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Linux, programação e toda sorte de nerdices

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Java: a hora e a vez do OpenJDK

Antes de mais nada, corrijam-me se eu estiver errado. Não sou desenvolvedor Java, sou antes um usuário da plataforma.

Com a aquisição da Sun Microsystems pela Oracle, em janeiro de 2010, o rumo do desenvolvimento da plataforma Java, e de outros projetos open source antes patrocinados pela empresa adquirida, foi radicalmente alterado. Em linhas gerais, pode-se dizer que a Oracle subiu o tom com as comunidades e ecossistemas formados em torno daqueles projetos, levando-os a redefinir sua forma de colaboração. O fato mais notável decorrente dessa nova conjuntura, sem dúvidas, foi o surgimento da The Document Foundation, criada especificamente para gerir o LibreOffice, um fork do OpenOffice.org. A comunidade da suíte de escritório concluiu que não poderia continuar nos termos que a Oracle passou a impor, e preferiu iniciar um novo projeto, baseado no primeiro, mas sem esperar nada de Larry Ellison – nem patrocínio, muito menos ordens.

Em relação ao Java, a postura da Oracle foi ainda mais pedante. Acreditando que números de alta cifra (milhões de desenvolvedores e bilhões de dispositivos, segundo ela mesma) lhe conferem autoridade para tanto, a empresa arrogou para si – e somente para si – o direito de distribuir sua versão “proprietária” do Java, tanto o SDK (para desenvolvimento) o JRE (para executar as aplicações). Com isso, as inúmeras distribuições Linux ficam proibidas de distribuir o Java da Sun Oracle.

Num momento em que até a Microsoft, a partir do Windows 8, está adotando o conceito de app store no sistema operacional, é uma contratendência e tanto. A ideia, já adotada há anos pelas distros Linux e mais recentemente pelas plataformas móveis, é que o usuário não tenha que “correr atrás” das aplicações de que precisa, visitando inúmeros sites e fazendo downloads nem sempre confiáveis. Com as centrais de aplicativos, a instalação da solução está a um clique (ou dois, ou três…), dentro do próprio ambiente do SO. Nesse contexto, a Oracle obrigará quem precisar de sua versão do Java a visitar o respectivo site para baixá-lo. No mundo Linux, suspeito, só agirá assim quem realmente necessitar do Java “proprietário”.

A partir dessa (controversa) decisão, as distros passarão a entregar somente o OpenJDK/OpenJRE, a versão do Java 100% livre. O que muda com isso? Para o usuário médio, quase nada. O OpenJDK parece estar maduro o suficiente para a maioria dos usos. Desenvolvo em PHP utilizando Netbeans como IDE, e posso afirmar que o ambiente integrado funciona tão bem com o OpenJRE quanto era com o JRE proprietário.

Vale lembrar que a versão 7 da plataforma Java também já está disponível em implementação open source, e será padrão na próxima versão do Ubuntu, a Oneiric Ocelot (11.10), que será disponibilizada ainda este mês. Para aqueles que não quiserem ou não puderem esperar, é possível instalar o OpenJDK/OpenJRE no Natty utilizando um PPA, assim:

sudo add-apt-repository ppa:dlecan/openjdk
sudo apt-get update
sudo apt-get install openjdk-7-jdk

(No último comando, basta substituir openjdk-7-jre para instalar somente o JRE. Para instalar o código fonte, acrescente openjdk-7-source.)

Mas, por óbvio, nada é perfeito. Há aplicações (ou deveria eu escrever “internet banking de bancos brasileiros”?) que foram feitos com e somente para para o Java “proprietário”. Quem projeta e desenvolve essas soluções que ignoram o OpenJDK deve, agora, rever suas concepções. A alegação de suportar somente o Java da Oracle, no mais das vezes, é calcada nos termos “segurança” e “homologação”. Pode-se contra-argumentar que a Oracle, sentada sobre os impressionantes números que já citei, sente-se confortável o bastante para relegar as falhas de segurança da plataforma Java a segundo plano, não se empenhando em saná-las. Tanto é assim que a Fundação Mozilla está considerando seriamente desativar o plugin do Java nas próximas versões do Firefox. Isso sem mencionar as frequentes críticas que são feitas à arquitetura da plataforma, às quais a empresa parece não querer oferecer uma resposta à altura.

Por tudo isso, creio que poderemos ver, num médio prazo, o futuro do Java sendo decidido exclusivamente pela comunidade Java, num cisma semelhante àquele que deu origem à The Document Foundation. A chave para que isso aconteça é a adoção maciça do OpenJDK, entregue pelas distribuições Linux e, quiçá, pelos próprios desenvolvedores Java, em conjunto (bundled) com suas aplicações. Só assim, vendo diminuída sua base de usuários, a Oracle venha a sair de sua zona de conforto e mude de atitude.

Ubuntu 11.04 (Natty Narwhal): ajustes para melhorar a usabilidade do Unity

Salve, pessoas!

O Ubuntu 11.04 (também conhecido pelo simpático e críptico codinome Natty Narwhal) já está aí, e, com ele, veio junto a nada unânime interface Unity. Ainda não tenho uma opinião fechada sobre ela, mas, tão logo a instalei (ou melhor: consegui fazê-la funcionar 😛 ), notei que ela levou a ideia de melhor aproveitamento do espaço da tela – algo que venho advogando, e não é de hoje – às últimas consequências. No meu ponto de vista, porém, o ganho de espaço útil trouxe consigo uma certa queda nos níveis de usabilidade.

Em face disso, fui em busca de ajustes na configuração para que ela satisfizesse minhas necessidades de usuário. E isso é o que eu gostaria de compartilhar com vocês neste post.

Instalando o pré-requisito

Para poder configurar o Unity, é necessário o aplicativo de Configurações Avançadas do Compiz. Parece que ele não faz parte de uma instalação padrão e limpa do Natty. Para instalá-lo, basta procurar por “Configurações avançadas de efeitos da área de trabalho (ccsm)” na Central de Programas do Ubuntu, ou, para os fãs de um velho e bom terminal, sudo apt-get install compizconfig-settings-manager.

Encontrando o aplicativo de configurações

Para encontrar as Configurações Avançadas do Compiz (CCSM, para encurtar), após a instalação, basta clicar sobre o botão do Ubuntu (canto superior esquerdo da tela), digitar “compiz” para efetuar uma busca e clicar sobre o ícone correspondente.

Encontrando as Configurações Avançadas do Compiz

Encontrando as Configurações Avançadas do Compiz

Encontrando as configurações do Unity

O Unity é, na verdade, um plugin do Compiz. Para encontrar as configurações específicas dele no CCSM, digite “unity” na caixa de buscas e, uma vez mais, clique sobre o respectivo ícone.

Encontrando as configurações do Unity no CCSM

Encontrando as configurações do Unity no CCSM

Os ajustes

Tornando o painel lateral permanentemente visível

O painel lateral do Unity, por padrão, esconde-se quando julga não ser útil ao usuário num dado momento. Se você, como eu, tem um monitor widescreen e fica “perdido” sem algo que lhe mostre quais janelas estão abertas, talvez queira que o painel lateral fique visível permanentemente. Para isso, escolha a opção “Never” na configuração “Hide launcher”.

Ajustando o painel lateral do Unity para visibilidade permanente

Ajustando o painel lateral do Unity para visibilidade permanente

Distinguindo melhor os aplicativos abertos

Ficou confuso saber quais aplicativos estão abertos, observando o painel lateral? Podemos melhorar isso. Na aba “Experimental”, ajustemos “Backlight Mode” para “Backlight Toggles”. Dessa forma, aquela “luzinha colorida” que aparece por detrás dos ícones do painel só estará ativa para os aplicativos que estão sendo executados no momento.

Deixando a luz de fundo acesa só para os aplicativos abertos

Deixando a luz de fundo acesa só para os aplicativos abertos

Diminuindo o tamanho dos ícones

O tamanho padrão dos ícones do painel lateral é 48 pixels, dimensão pensada, certamente, para uso do Unity em dispositivos touchscreen, como tablets. Contudo, se o que você tem é um computador desktop ou mesmo um notebook, esse tamanho poderá parecerá exagerado – em especial se você optar por deixar o painel sempre visível. Também na aba “Experimental”, há o ajuste “Launcher icon size”, no qual eu coloquei o mínimo possível: 32 pixels. Sinceramente, eu acho que o tamanho mínimo poderia ser ainda menor, mas…

Querida, encolhi os ícones!

Querida, encolhi os ícones!

Um pouco de cosmética: deixando o painel superior (semi)transparente

É perfumaria, eu sei, mas eu acho bonitinho 😛 . Por padrão, o painel superior é 100% opaco, mas podemos alterar isso, ajustando o valor de “Panel Opacity” (na aba “Experimental”) para um valor menor que 1. Pessoalmente, gosto do efeito que 0,85 proporciona.

Transparência é sexy, não concorda?

Transparência é sexy, não concorda?

Reabilitando a área de notificação para todas as aplicações

Você deve ter notado (ou não 😉 ) que a área de notificação (vulgo systray) do Natty está bem mais enxuta, e que muitas aplicações que davam as caras por lá não aparecem mais. Se isso é um problema para você, é possível voltar a permitir que qualquer aplicação volte a colocar seu ícone por lá. Dessa vez, deixaremos o CCSM de lado e vamos direto à linha de comando:

gsettings set com.canonical.Unity.Panel systray-whitelist "['all']"

Será necessário encerrar a sessão e fazer login novamente para que a nova configuração tenha efeito. Esta última dica foi devidamente “chupinhada” do site WEB UPD8, aliás ótima referência sobre Ubuntu (e Linux, em geral), para quem arranha pelo menos um pouco de inglês.

Os ícones de volta à área de notificação. Entre eles, Pidgin e Dropbox.

Os ícones de volta à área de notificação. Entre eles, Pidgin e Dropbox.

Conclusão

O Unity é ótimo em sua intenção de proporcionar a maior área útil possível de tela. Se ele conseguirá fazer isso bem e conquistar a grande massa de usuários, só o tempo dirá. Se me permitem opinar, acho que a interface está num estado ainda beta, e não são poucos aqueles que relatam dificuldades em fazê-la funcionar – foi assim também comigo, o Unity não rodou out of the box, como prometido, apesar de minha placa nVIDIA GeForce 9800 GT. Mas vale, porque estamos experimentando um mundo novo, e o foco do Unity, inequivocadamente, é fazer a transição do mouse para o touchscreen o mais suave possível.

Por que usar um “framework”

Todo desenvolvedor, não importa qual a linguagem em que trabalhe, certamente há de ter feito a si mesmo, pelo menos uma vez, a seguinte pergunta: devo ou não utilizar um framework? Ouso dizer que a resposta é SIM. E passo a detalhar as razões da minha assertiva.

Imagine, nos tempos pré-históricos, como nossos remotos ancestrais se viravam para sobreviver. Tinham que inventar suas próprias ferramentas, arranjar o que vestir. Até fazer fogo era algo extremamente trabalhoso. Felizmente, não vivemos mais naquela época. Mas alguns desenvolvedores ainda insistem em viver na Pré-História da programação, quando precisavam fazer quase tudo a partir do zero e “na unha”. Para defender sua postura em não adotar um framework, costumam lançar a questão “E se esse troço der pau, quem vai consertar?”.

Esse tipo de desenvolvedor é aquele que se apega de tal modo a seu “jeito de fazer as coisas”, ao ponto que todo código não escrito por ele mesmo lhe parece esotérico ou produto de seres alienígenas. Aqui vale um alerta: se você olha para o código-fonte de um framework e não entende nada do que está escrito ali, volte para casa zero e comece a estudar sua linguagem novamente!

O programador troglodita crê piamente que o valor do seu trabalho está no (mau) código que escreve, e não na solução que oferece para o problema do cliente. É aquele que foge o quanto pode das linguagens interpretadas, porque o aplicativo precisa do código-fonte para ser executado e “todo mundo pode ver e se apossar do que eu fiz”. É aquele cara que, nos idos do glorioso Clipper (uma linguagem semicompilada), morria de medo do Valkyrie, um utilitário capaz de traduzir o bytecode executável de volta a código-fonte.

Os melhores frameworks disponíveis na atualidade baseiam-se em padrões de desenvolvimento, giram em torno de uma grande e ativa comunidade e suas versões são testadas com rigor antes de serem disponibilizadas ao grande público. Tudo isso se traduz em qualidade de software, o que, certamente, as soluções do nosso companheiro troglodita não tem.

Adotar um framework significa, num primeiro momento, renúncia. Você abrirá mão do seu jeito de fazer as coisas para endossar o dele. Na maior parte das vezes, isso significa parar de contemplar o próprio umbigo e olhar ao redor, onde mais gente faz mais coisas de forma semelhante, e, portanto, tem problemas similares. Todos começam a falar a mesma língua, e fica mais fácil pedir ajuda e ajudar.

Muitos tomam o tempo que se gasta no aprendizado de um framework como perdido. Eu não veria desta forma. Antes, eu consideraria essas longas horas como auto-instrução e aperfeiçoamento profissional. O resultado, por certo, não aparecerá logo de início (para desespero dos apressados), mas terá reflexos num futuro melhor.

Obviamente, de nada adianta tentar aprender a trabalhar com um framework a toque de caixa para aplicá-lo naquele projeto que era para ontem. Aconselho que essa atividade de aprendizado se dê em paralelo ao desenvolvimento rotineiro, e, a menos que se tenha tempo disponível para erros e tentativas, não utilizar o framework em um projeto sério enquanto não entender seu funcionamento e se sentir minimamente confortável com ele.

Em suma, creio que a grande diferença entre utilizar ou não um framework é a mesma entre ter uma caixa de ferramentas de alta qualidade prontas para o uso, e já partir para o trabalho, ou perder tempo (re) inventando a roda, frequentemente de modo improvisado.

E você? Já escolheu seu framework preferido?

Ensaio sobre a orkutização do Twitter

Há algum tempo, tenho notado, na minha timeline, variadas reações acerca da orkutização do Twitter, fenômeno que a cada dia torna-se mais evidente. Or.ku.ti’za.ção (s.f.), com o perdão do neologismo, foi o termo encontrado para definir a progressiva degradação da relevância e utilidade prática – numa palavra: banalização – de uma ferramenta social, fato que por primeiro manifestou-se numa certa rede criada por um engenheiro de software de nacionalidade turca e funcionário do Grande Oráculo.

O Twitter, quando de seu surgimento, parecia algo hermético e esotérico, associado a gente hiperdescolada e early adopters de tecnologia. Era difícil vislumbrar a serventia de uma coisa que lhe perguntava What are you doing? e não lhe deixava responder com mais de 140 caracteres. À medida que o serviço foi agregando usuários, muitos dos quais ali desembarcavam guiados pela mais cândida curiosidade, o Twitter finalmente encontrou sua vocação: ser uma fonte de informações em tempo (quase) real, que, devido à forma com que estruturava seus usuários (seguidores e seguidos), transformou-se numa máquina de virais – para o bem ou para o mal. E toda essa repercussão, por óbvio, retroalimenta o fluxo de novos usuários.

Em algum ponto de sua curta história, o Twitter tornou-se a sensação do momento. Todos desejam estar nele, muitos querem utilizá-lo para angariar fama, outros estão ali apenas para não serem diferentes. Exatamente como, era uma vez, aconteceu com o orkut. Ou alguém já se esqueceu de que, um dia, foi necessário convite para entrar na rede social do Google?

Com o ingresso dos novos usuários, movidos por hype, sensacionalismo e modismo, não se podia esperar outra reação que não um misto de revolta e decepção dos veteranos. Afinal, usurparam a esses últimos sua casamata. Tiraram-lhes a exclusividade que julgavam ter sobre aquilo que até então era coisa para iniciados. E eis que o derradeiro obstáculo a impedir a definitiva invasão das hordas enfurecidas, a barreira linguística, está prestes a ruir, já que lá vem o Twitter em português. E, mesmo antes disso, o #TTBr constituiu-se, invariavelmente, no supra-sumo da futilidade.

Guardadas as proporções e respeitada a diferença de contexto, é o mesmo temor que acometeu os pioneiros do orkut quando este serviço abriu-se a qualquer interessado. E sequer é preciso ter poderes metafísicos para prever que, mais cedo ou mais tarde, a orkutização assolará também o Facebook – ao qual, aliás, nem me dei ao trabalho de aderir. Em tempo: ainda mantenho um perfil no orkut por pura indolência, mas quase não entro mais lá porque a poeira acumulada ataca minha rinite alérgica 😛 .

O que os indignados usuários do Twitter (ou coloque o nome sua rede social popular ou em ascensão aqui) custam a perceber é que, com frequência, replicam eles mesmos as ações que tanto criticam. Reclamam da baixa qualidade de sua timeline, mas só tuítam coisas de pouca ou nenhuma importância.

Com base em minha própria experiência, e sem querer lecionar qualquer lição de moral, acabei por me impor alguns princípios, que talvez sejam úteis a quem  interessar possa:

  • Não cultivo o hábito de seguir automática e cegamente de volta cada novo seguidor que porventura conquiste. Muitos desses neoseguidores me abandonam após alguns dias, quando veem que não lhes premi o botão Follow. Muito prazer, foi uma honra tê-los me seguindo, mas precisam mostrar conteúdo para que eu considere a possibilidade de vir a segui-los.
  • Consequência imediata do item anterior: seleciono a dedo os perfis aos quais sigo, e não tenho a menor vergonha de dar um unfollow se não corresponder às minhas expectativas. É claro que esse meu comportamento jamais me tornará um sujeito popular – o que nunca fui mesmo.
  • Evito, na medida do possível e da boa memória, tuitar coisas de cunho estritamente pessoal, que não façam sentido para mais ninguém. Como não poderia deixar de ser, o conceito de “sentido” aqui é o mais elástico quanto possível. Por vezes faço piadas (muitas vezes sem graça 😐 ) com os tuítes alheios – mas isso não é, de forma alguma, o principal objetivo pelo qual estou no Twitter. O microblog permitiu-me construir uma rede de relacionamentos que – assim espero – venham, um dia, render frutos, especialmente no campo profissional. E não desejo jogar isso para o alto a troco de nada.
  • Por fim, o ditado “não faça aos outros o que não quer que façam a você” aplica-se perfeitamente ao universo das redes sociais. O Twitter é, para mim, uma ferramenta e, nessa qualidade, deve ser-me útil. Busco ali coisas que me agreguem conhecimento ou, ao menos, um pouco de diversão. Tendo essa ideia em mente, procuro partilhar eu também dessas mesmas coisas.

E você, que anda incomodado com a orkutização? Continuará sendo tão-somente reativo ou adotará uma postura proativa? 8)

Qual a linguagem mais importante para sua carreira?

PHP? Java? C#? C, C++? Ruby? VB.net? Um bom desenvolvedor domina pelo menos uma linguagem, e está de olho em outra, no mínimo. Em certo momento, todos nós já nos perguntamos: será que eu não estaria perdendo meu tempo e esforço com a linguagem X? E se eu partisse para a linguagem Y? Isso desagua, inevitavelmente, na pergunta que intitula este artigo.

Talvez eu os desaponte, mas ouso afirmar que a linguagem mais importante, nos planos profissional e pessoal, é – pasmem! – a língua portuguesa. A inculta, bela e esfarrapada última flor do Lácio. Nem a língua inglesa, cuja fluência é exigida em 11 em cada 10 cargos, de quaisquer áreas, é capaz de lhe sombrear a importância.

Quantas vezes já não pedimos para alguém nos fazer um favor, e ouvimos como resposta: “Tudo bem. Eu se viro!” No que compete a mim opinar, creio que de nada adianta saber todos os meandros e melindres de uma linguagem de programação (para web, por exemplo) e exibir um “Seje benvindo” na sua página pessoal. Talvez o sujeito esteja ancioso, pensando quiçá numa sertificação que ratifique sua nerdisse. Sabe terminar suas linhas de código com ponto e vírgula, mas ignora quando usar este sinal de pontuação numa frase.

Em tempos de Internet, blogs, Twitter e afins, o desmazelo pela língua evidencia-se ainda mais. Não me refiro a eventuais erros de digitação, ou, no caso do Twitter, de abreviações. Falo da mais pura e simples ignorância, mesmo. E, antes que me julguem, sim, também cometo erros. Procuro, contudo, me policiar e me corrigir em tempo hábil. E não maltratar ainda mais a pobre língua portuguesa que, como instrumento primário de comunicação, merece mais consideração.

Dominar a língua materna, enfim, pode fazer de nós melhores programadores. Noam Chomsky que o diga. 🙂

Ubuntu or not Ubuntu, that’s the question

Fui apresentado ao Linux em 1998, pelas mãos (e pelos disquetes 3 1/2″) do Ricardo Stefani, de longe o cara mais nerd que eu conheço. Eu havia, então, acabado de comprar meu primeiro computador, um Pentium MMX com incríveis 64 MB de RAM. Ele vivia me falando das maravilhas do (então) novo sistema operacional, mostrando capturas de tela do Enlightenment. Aconteceu que, naquela ocasião, o kernel do Linux ainda não suportava MMX, e minha primeira tentativa de instalar uma distro (naquela época, o Conectiva Linux) resultou em disparados bipes nos autofalantes do meu recém-adquirido micro próprio.

Ressalte-se que, por aqueles idos, a internet ainda era movida a lenha (e, de certa forma, continua assim até hoje), de modo que não era fácil conseguir novas versões. O que quase todo mundo fazia era comprar aquelas revistas de informática que vinham com um CD encartado e traziam as versões atualizadas das distros mais populares do início do século: Red Hat (atualmente Fedora), Mandrake (hoje Mandriva), e o próprio Conectiva. A cada tentativa de instalação, porém, algo insistia em dar errado. E o meu sonho de usar Linux regularmente foi sendo adiado.

Em 2003, troquei meu computador, que agora era um Athlon XP com 256 MB de RAM. Devido às minhas más experiências anteriores com o sistema livre, fiquei alguns anos sem sequer tentar instalá-lo novamente. Até que, não me lembro exatamente como nem quando, caiu em meu colo um CD de uma distribuição semidesconhecida, um tal de Ubuntu. Como disse, não recordo as exatas circunstâncias de como isso ocorreu, mas provavelmete tratava-se da versão 6.06 LTS (Dapper Drake). Aquele CD me permitiu conhecer a distro novata sem instalá-la (tudo bem, isso não era novidade, o Kurumin, entre outros, já fazia isso).

Inteirei-me do esquema de releases do Ubuntu, o que me rendeu crises de ansiedade a cada 6 meses. A primeira versão que lembro de ter realmente instalado (ainda naquele Athlon XP de 2003) foi a 7.04 (Feisty Fawn), não sem ter ficado decepcionado pela falta dos efeitos visuais – o chipset SIS onboard simplesmente não os permitia. Pela primeira vez em quase 10 anos, eu havia vencido o Linux (e não o contrário) – e graças ao Ubuntu.

De lá para cá, acompanhei todas as novas versões, passando a utilizar o Ubuntu cada vez com mais frequência e para fazer mais tarefas. Meu trabalho de conclusão de curso da faculdade de Direito, em 2008, foi feito em OpenOffice sob Ubuntu. Experimeitei também o KDE, instalando o pacote kubuntu-desktop, mas atualmente estou de volta ao Gnome.

No ano passado (2009), adquiri um notebook DualCore com 2 GB de RAM e placa ATI Mobility Radeon HD 2400, o que me permitiu, finalmente, colocar o Compiz para funcionar. O note continua dualboot com Windows por causa da Dona Patroa (já tentei evangelizá-la, sem sucesso), mas eu mesmo só vou de Ubuntu. No trabalho, estou há dois meses utilizando somente o Ubuntu também.

Pois então, por que o Ubuntu? Foi a distribuição que me permitiu partir para o mundo Linux de mala e cuia. É o sistema operacional perfeito (se é que existe algum nessa condição)? Não, muito longe disso. O Ubuntu melhorou consideravelmente a experiência do usuário em Linux, mas ainda há muito a ser feito – drivers de hardware são um bom exemplo disso. A grande prova de que está no caminho certo, contudo, é ter alçado a condição de distro mais popular do mundo no momento (segundo o DistroWatch.com). E fazer muitos usuários mais esclarecidos, ainda que sem conhecimento técnico aprofundado, (conseguir) trocar o Windows por ele. Sem qualidade, jamais teria conquistado a façanha.

Quanto a mim, vou aprendendo Linux à medida da necessidade. O Ubuntu me permite fazê-lo, não preciso saber de tudo para começar a usá-lo. Foi necessário editar o /etc/X11/xorg.conf? Aprendi. Tive que mexer na fstab? Idem. E por aí vai. Não sei compilar o kernel? E daí? Ainda não precisei fazer isso. Quando for mister, pode ter certeza de que aprenderei e farei.

O Ubuntu é a distro que melhor se ajusta ao que preciso, por hora. Uso e recomendo, mas tenho consciência de que você pode achar que outra distribuição é melhor para você. Isso não é importante; o que importa é utilizar um sistema livre. E, se amanhã eu constatar que outra distribuição me atende mais adequadamente, seja porque minhas necessidades mudaram ou porque a distro oferece um salto de qualidade em relação ao Ubuntu, não hesitarei em fazer a troca deste por aquela.

Para terminar, uma constatação: distros vêm e vão. A liberdade de usar Linux permanece.

Por que o ASP clássico ainda sobrevive?

Eis uma questão para a qual não encontrei ainda uma resposta única. Lançado em dezembro de 1996 (segundo informações da Wikipédia), o ASP clássico é hoje um pré-adolescente rebelde que deveria ter morrido ainda criança, mas nunca chegará à idade adulta com maturidade.

Acredito que ele tenha-se tornado popular entre os programadores Visual Basic que, pela necessidade de fazer alguma coisa para a emergente web da época, encontraram naquele um caminho fácil e rápido (mas não necessariamente melhor). Muitos desses profissionais (?!) encontraram ali sua zona de conforto e, diante do passar dos anos e do surgimento de novas tecnologias, preferiram continuar no bom e velho modus operandi.

A Microsoft, creio, também concorreu para a sobrevida dessa obsoletice. Ao introduzir o framework .NET, fê-lo de forma abrupta, sem que os desenvolvedores houvesse tido um caminho suave de transição. Diante da constatação de “ter que aprender tudo de novo”, afinal, “já deu um trabalhão aprender da primeira vez, entender como funciona”, a gente preferiu continuar vendendo sites novos baseado em tecnologia e código velhos.

O resultado de tudo isso são milhões de linhas de código legado, ao qual alguém precisa dar manutenção. E eis que acabei de me tornar mantenedor de alguns milhares dessas linhas.

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