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Linux, programação e toda sorte de nerdices

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Java: a hora e a vez do OpenJDK

Antes de mais nada, corrijam-me se eu estiver errado. Não sou desenvolvedor Java, sou antes um usuário da plataforma.

Com a aquisição da Sun Microsystems pela Oracle, em janeiro de 2010, o rumo do desenvolvimento da plataforma Java, e de outros projetos open source antes patrocinados pela empresa adquirida, foi radicalmente alterado. Em linhas gerais, pode-se dizer que a Oracle subiu o tom com as comunidades e ecossistemas formados em torno daqueles projetos, levando-os a redefinir sua forma de colaboração. O fato mais notável decorrente dessa nova conjuntura, sem dúvidas, foi o surgimento da The Document Foundation, criada especificamente para gerir o LibreOffice, um fork do OpenOffice.org. A comunidade da suíte de escritório concluiu que não poderia continuar nos termos que a Oracle passou a impor, e preferiu iniciar um novo projeto, baseado no primeiro, mas sem esperar nada de Larry Ellison – nem patrocínio, muito menos ordens.

Em relação ao Java, a postura da Oracle foi ainda mais pedante. Acreditando que números de alta cifra (milhões de desenvolvedores e bilhões de dispositivos, segundo ela mesma) lhe conferem autoridade para tanto, a empresa arrogou para si – e somente para si – o direito de distribuir sua versão “proprietária” do Java, tanto o SDK (para desenvolvimento) o JRE (para executar as aplicações). Com isso, as inúmeras distribuições Linux ficam proibidas de distribuir o Java da Sun Oracle.

Num momento em que até a Microsoft, a partir do Windows 8, está adotando o conceito de app store no sistema operacional, é uma contratendência e tanto. A ideia, já adotada há anos pelas distros Linux e mais recentemente pelas plataformas móveis, é que o usuário não tenha que “correr atrás” das aplicações de que precisa, visitando inúmeros sites e fazendo downloads nem sempre confiáveis. Com as centrais de aplicativos, a instalação da solução está a um clique (ou dois, ou três…), dentro do próprio ambiente do SO. Nesse contexto, a Oracle obrigará quem precisar de sua versão do Java a visitar o respectivo site para baixá-lo. No mundo Linux, suspeito, só agirá assim quem realmente necessitar do Java “proprietário”.

A partir dessa (controversa) decisão, as distros passarão a entregar somente o OpenJDK/OpenJRE, a versão do Java 100% livre. O que muda com isso? Para o usuário médio, quase nada. O OpenJDK parece estar maduro o suficiente para a maioria dos usos. Desenvolvo em PHP utilizando Netbeans como IDE, e posso afirmar que o ambiente integrado funciona tão bem com o OpenJRE quanto era com o JRE proprietário.

Vale lembrar que a versão 7 da plataforma Java também já está disponível em implementação open source, e será padrão na próxima versão do Ubuntu, a Oneiric Ocelot (11.10), que será disponibilizada ainda este mês. Para aqueles que não quiserem ou não puderem esperar, é possível instalar o OpenJDK/OpenJRE no Natty utilizando um PPA, assim:

sudo add-apt-repository ppa:dlecan/openjdk
sudo apt-get update
sudo apt-get install openjdk-7-jdk

(No último comando, basta substituir openjdk-7-jre para instalar somente o JRE. Para instalar o código fonte, acrescente openjdk-7-source.)

Mas, por óbvio, nada é perfeito. Há aplicações (ou deveria eu escrever “internet banking de bancos brasileiros”?) que foram feitos com e somente para para o Java “proprietário”. Quem projeta e desenvolve essas soluções que ignoram o OpenJDK deve, agora, rever suas concepções. A alegação de suportar somente o Java da Oracle, no mais das vezes, é calcada nos termos “segurança” e “homologação”. Pode-se contra-argumentar que a Oracle, sentada sobre os impressionantes números que já citei, sente-se confortável o bastante para relegar as falhas de segurança da plataforma Java a segundo plano, não se empenhando em saná-las. Tanto é assim que a Fundação Mozilla está considerando seriamente desativar o plugin do Java nas próximas versões do Firefox. Isso sem mencionar as frequentes críticas que são feitas à arquitetura da plataforma, às quais a empresa parece não querer oferecer uma resposta à altura.

Por tudo isso, creio que poderemos ver, num médio prazo, o futuro do Java sendo decidido exclusivamente pela comunidade Java, num cisma semelhante àquele que deu origem à The Document Foundation. A chave para que isso aconteça é a adoção maciça do OpenJDK, entregue pelas distribuições Linux e, quiçá, pelos próprios desenvolvedores Java, em conjunto (bundled) com suas aplicações. Só assim, vendo diminuída sua base de usuários, a Oracle venha a sair de sua zona de conforto e mude de atitude.

Ubuntu Mono: uma nova e ótima fonte para programar

Na última semana, os designers do Ubuntu atualizaram a família de fontes homônima, atualizando a variante monoespaçada. Essa variante, que já existia nas versões anteriores do pacote, foi bastante aperfeiçoada, tendo sido feito o trabalho de hinting, essencial para que a fonte seja legível em tamanhos menores e que ela não pareça “embaçada” na tela. Eis como ficou:

Ubuntu Mono, 24pt

Ubuntu Mono, 24pt

Ela tem caracterísiticas interessantes para os programadores, como o zero ponteado (para ser distinto do “O” maiúsculo), e é bastante compacta, de modo que a tela exibe mais linhas de código, comparada com outras fontes.

Ubuntu Mono no Netbeans

Ubuntu Mono no Netbeans

Ubuntu Mono no GEdit

Ubuntu Mono no GEdit

Certamente, a variante monoespaçada virá como padrão na próxima versão do Ubuntu, a Oneiric Ocelot (11.10), que sairá do forno ainda esse mês. Para quem não aguenta esperar e usa Ubuntu ou distros derivadas pode instalar a nova versão da Ubuntu Mono mediante um PPA:

sudo add-apt-repository ppa:webupd8team/ubuntu-font-family
sudo apt-get update
sudo apt-get install ttf-ubuntu-font-family

Já aqueles que usam outra distribuição (ou Windows 😦 , ou Mac 🙂 ) pode baixar as fontes num pacote ZIP aqui.

Aproveitem! 🙂

Google Chrome vs. Chromium: onde estão as diferenças

Creio que muitos de nós, usuários do Linux, já tivemos a dúvida entre optar pelo Google Chrome ou pelo Chromium. Em termos práticos, não há realmente muita diferença entre eles, mas, se existem dois “sabores”, é porque há distinções. Movido por minha curiosidade, fui pesquisar essa questão e acabei me deparando com um quadro comparativo no wiki do projeto Chromium, o qual tomei a liberdade de traduzir e comentar logo abaixo.

Google Chrome Chromium Observações
Logotipo Colorido Tons de azul
Relatório de falhas Sim, se habilitado Nenhum Por favor, inclua rastreamento de erros com símbolos em ao relatar bugs, caso não tenha um relatório de falha
Métricas de uso Sim, se habilitado Não
Tags de vídeo e áudio AAC, MP3, Vorbis e Theora Vorbis e Theora por padrão Varia de acordo com as distribuições: no Ubuntu, o Chromium vem com os dois formatos; no Fedora, o suporte é completamente removido
Adobe Flash Plugin personalizado (não-livre) incluído no pacote Suporta plugins NPAPI, inclusive o fornecido pela Adobe
Suporte a PDF Plugin personalizado (não-livre) incluído no pacote Baixa e exibe documentos usando o visualizador PDF do sistema O plugin de PDF do Chrome usa código não-livre de terceiros; não existe nenhum plugin de PDF em software livre que suporte todos os recursos que gostaríamos (como o preenchimento de formulários). 😦
Código Testado pelos desenvolvedores Modificado pelas distribuições Modificações adicionais pelas distribuições têm sido uma contínua fonte de problemas para os usuários; ao relatar bugs, por favor inclua infomações sobre a distribuição
Isolamento de processos (sandbox) Sempre habilitado Pode estar desabilitado, dependendo do distribuidor Ubuntu e Gentoo: sempre habilitado; alguns pacotes não oficiais do Slackware o removem!
Empacotamento Um único deb/rpm Depende da distribuição, às vezes dividido em diversas partes (dados de locale, inspetor, v8) O Ubuntu disponibiliza l10n e o inspetor (opcional) e 2 conjuntos de codecs (1 obrigatório), seja para as compilações noturnas, para o canal de desenvolvimento ou para o canal beta, mas com os mesmos nomes de pacotes em cada canal
Perfil Armazenado em ~/.config/google-chrome Armazenado em ~/.config/chromium
Cache Armazenado em ~/.cache/google-chrome Armazenado ~/.cache/chromium
Garantia de qualidade Novas versões são testadas antes de serem distribuídas aos usuários Às vezes, compilações noturnas não testadas Depende da distribuição: por exemplo, o Chromium do Ubuntu mantém os mesmos números de versão do Google Chrome, mas outras distribuições às vezes disponibilizam compilações “noturnas” instáveis

É notório que o quadro acima, apesar de pertencer à documentação do Chromium, foi escrito por alguém ligado ao Google. Além de destacar as vantagens do Chrome sobre seu irmão 100% livre, a comparação não deixa de fazer certo terrorismo quanto ao código “não testado” e “modificado pelas distribuições” do Chromium. Isso sem falar no ícone “azul sem graça” do Chromium 😛 .

Ideologias e mercadologias à parte, o Chrome é a escolha óbvia de quem prefere uma experiência de navegação na Internet out of the box, sem se preocupar com codecs, plugins e outros detalhes. Por outro lado, o Chromium é mais adequado àqueles que gostam de ter um controle maior sobre o que instalam, e aos ciosos de terem somente software livre em suas máquinas.

Concluindo, a escolha é sua 😉 .

Ubuntu 11.04 (Natty Narwhal): ajustes para melhorar a usabilidade do Unity

Salve, pessoas!

O Ubuntu 11.04 (também conhecido pelo simpático e críptico codinome Natty Narwhal) já está aí, e, com ele, veio junto a nada unânime interface Unity. Ainda não tenho uma opinião fechada sobre ela, mas, tão logo a instalei (ou melhor: consegui fazê-la funcionar 😛 ), notei que ela levou a ideia de melhor aproveitamento do espaço da tela – algo que venho advogando, e não é de hoje – às últimas consequências. No meu ponto de vista, porém, o ganho de espaço útil trouxe consigo uma certa queda nos níveis de usabilidade.

Em face disso, fui em busca de ajustes na configuração para que ela satisfizesse minhas necessidades de usuário. E isso é o que eu gostaria de compartilhar com vocês neste post.

Instalando o pré-requisito

Para poder configurar o Unity, é necessário o aplicativo de Configurações Avançadas do Compiz. Parece que ele não faz parte de uma instalação padrão e limpa do Natty. Para instalá-lo, basta procurar por “Configurações avançadas de efeitos da área de trabalho (ccsm)” na Central de Programas do Ubuntu, ou, para os fãs de um velho e bom terminal, sudo apt-get install compizconfig-settings-manager.

Encontrando o aplicativo de configurações

Para encontrar as Configurações Avançadas do Compiz (CCSM, para encurtar), após a instalação, basta clicar sobre o botão do Ubuntu (canto superior esquerdo da tela), digitar “compiz” para efetuar uma busca e clicar sobre o ícone correspondente.

Encontrando as Configurações Avançadas do Compiz

Encontrando as Configurações Avançadas do Compiz

Encontrando as configurações do Unity

O Unity é, na verdade, um plugin do Compiz. Para encontrar as configurações específicas dele no CCSM, digite “unity” na caixa de buscas e, uma vez mais, clique sobre o respectivo ícone.

Encontrando as configurações do Unity no CCSM

Encontrando as configurações do Unity no CCSM

Os ajustes

Tornando o painel lateral permanentemente visível

O painel lateral do Unity, por padrão, esconde-se quando julga não ser útil ao usuário num dado momento. Se você, como eu, tem um monitor widescreen e fica “perdido” sem algo que lhe mostre quais janelas estão abertas, talvez queira que o painel lateral fique visível permanentemente. Para isso, escolha a opção “Never” na configuração “Hide launcher”.

Ajustando o painel lateral do Unity para visibilidade permanente

Ajustando o painel lateral do Unity para visibilidade permanente

Distinguindo melhor os aplicativos abertos

Ficou confuso saber quais aplicativos estão abertos, observando o painel lateral? Podemos melhorar isso. Na aba “Experimental”, ajustemos “Backlight Mode” para “Backlight Toggles”. Dessa forma, aquela “luzinha colorida” que aparece por detrás dos ícones do painel só estará ativa para os aplicativos que estão sendo executados no momento.

Deixando a luz de fundo acesa só para os aplicativos abertos

Deixando a luz de fundo acesa só para os aplicativos abertos

Diminuindo o tamanho dos ícones

O tamanho padrão dos ícones do painel lateral é 48 pixels, dimensão pensada, certamente, para uso do Unity em dispositivos touchscreen, como tablets. Contudo, se o que você tem é um computador desktop ou mesmo um notebook, esse tamanho poderá parecerá exagerado – em especial se você optar por deixar o painel sempre visível. Também na aba “Experimental”, há o ajuste “Launcher icon size”, no qual eu coloquei o mínimo possível: 32 pixels. Sinceramente, eu acho que o tamanho mínimo poderia ser ainda menor, mas…

Querida, encolhi os ícones!

Querida, encolhi os ícones!

Um pouco de cosmética: deixando o painel superior (semi)transparente

É perfumaria, eu sei, mas eu acho bonitinho 😛 . Por padrão, o painel superior é 100% opaco, mas podemos alterar isso, ajustando o valor de “Panel Opacity” (na aba “Experimental”) para um valor menor que 1. Pessoalmente, gosto do efeito que 0,85 proporciona.

Transparência é sexy, não concorda?

Transparência é sexy, não concorda?

Reabilitando a área de notificação para todas as aplicações

Você deve ter notado (ou não 😉 ) que a área de notificação (vulgo systray) do Natty está bem mais enxuta, e que muitas aplicações que davam as caras por lá não aparecem mais. Se isso é um problema para você, é possível voltar a permitir que qualquer aplicação volte a colocar seu ícone por lá. Dessa vez, deixaremos o CCSM de lado e vamos direto à linha de comando:

gsettings set com.canonical.Unity.Panel systray-whitelist "['all']"

Será necessário encerrar a sessão e fazer login novamente para que a nova configuração tenha efeito. Esta última dica foi devidamente “chupinhada” do site WEB UPD8, aliás ótima referência sobre Ubuntu (e Linux, em geral), para quem arranha pelo menos um pouco de inglês.

Os ícones de volta à área de notificação. Entre eles, Pidgin e Dropbox.

Os ícones de volta à área de notificação. Entre eles, Pidgin e Dropbox.

Conclusão

O Unity é ótimo em sua intenção de proporcionar a maior área útil possível de tela. Se ele conseguirá fazer isso bem e conquistar a grande massa de usuários, só o tempo dirá. Se me permitem opinar, acho que a interface está num estado ainda beta, e não são poucos aqueles que relatam dificuldades em fazê-la funcionar – foi assim também comigo, o Unity não rodou out of the box, como prometido, apesar de minha placa nVIDIA GeForce 9800 GT. Mas vale, porque estamos experimentando um mundo novo, e o foco do Unity, inequivocadamente, é fazer a transição do mouse para o touchscreen o mais suave possível.

Meu ambiente de trabalho em 7 itens

Não sei direito onde a coisa começou. Recebi do Alexandre Gaigalas (@alganet) e, num segundo momento, também do Bruno Roberto Gomes (@brgomes) a incumbência de compartilhar 7 itens do meu ambiente de trabalho. Tanto um quanto o outro já escreveu sobre o mesmo tema, tendo recebido a tarefa de outras pessoas. Pesquisei um pouco a respeito, e descobri no blog do Duodraco que a ideia é fazer disso um meme. Então vamos lá. 🙂

Meu ambiente de trabalho. Não reparem a bagunça :P

Meu ambiente de trabalho. Não reparem a bagunça 😛

1) Um Ubuntu altamente personalizado

Há cerca de um ano, encarei o desafio de abandonar o Windows como plataforma de desenvolvimento e usar Linux para esse propósito. Escolhi a distribuição Ubuntu, que já usava nos meus computadores pessoais e com a qual já estava familiarizado.

Como gosto de deixar as coisas bem do meu jeito, meu Ubuntu, ao menos visualmente, em nada se parece com uma instalação recém-feita desse sistema operacional. Entre as personalizações que costumo fazer na interface, estão:

  • a troca do tema padrão (atualmente, uso o tema Orta com os ícones Faenza);
  • a redução para apenas um painel, o inferior, e o utilização do Docky na parte superior da tela para lançamento de aplicativos;
  • o applet Cardápio no lugar do tradicional menu do GNOME; e
  • o applet Dockbarx em substituição à lista de janelas/tarefas.

Minha instalação corrente começou na versão Karmic Koala (9.10), foi atualizada para a Lucid Lynx (10.04 LTS) e, no momento, corresponde à versão mais atual do SO, Maverick Meerkat (10.10). Tudo isso sem precisar formatar, comprovando a estabilidade do ambiente. Um ano, três versões e tudo rodando redondo. Exceto, é claro, quando eu tento fazer alguma atualização bleeding edge e ferro alguma coisa – a maior vítima é o driver da placa de vídeo. Mas #SouDev e não desisto nunca, daqui a pouco ponho o sistema de volta pra funcionar.

2) Netbeans para desenvolvimento PHP

Sempre estive em busca do IDE perfeito e open source (ou, pelo menos, freeware) para desenvolver em PHP (havia até um post meu sobre isso numa rede do Ning, mas todo mundo sabe o que aconteceu…). A meu ver, o estado da arte em termos de ambiente integrada para essa linguagem ainda não foi atingido. Contudo, o Netbeans evoluiu rapidamente e é, nos dias atuais, o que mais se aproxima do Olimpo. Tem, como vantagens, o fato de ser open source, multiplataforma (ainda que “multiplataforma”, aqui, seja sinônimo de Java) e relativamente leve, consideradas as circunstâncias. Por outro lado, ser baseado em Java, após a aquisição da Sun pela Oracle, é algo no mínimo temerário. Não por acaso, aguardo ansiosamente que o KDevelop com suporte a PHP amadureça e se torne logo utilizável. Pelo que já vi deste último, vem coisa boa por aí.

Netbeans IDE 7.0 Beta

Netbeans IDE 7.0 Beta

Quem estiver interessado no meu esquema (escuro) de cores para o Netbeans, pode baixá-lo aqui e importá-lo em Ferramentas > Opções > Importar (no canto inferior esquerdo do diálogo).

3) Wine, PlayOnLinux e Winetricks

Esta tríade de utilitários permite executar no Linux muitos programas da plataforma Windows. Se o Wine é uma camada de tradução das bibliotecas de runtime do Windows, o PlayOnLinux é um front-end que, por intermédio de scripts, automatiza a instalação de vários aplicativos comuns (algumas versões do Microsoft Office e do Photoshop, por exemplo), embora seu foco seja a instalação de jogos. Por seu turno, o Winetricks é um script que localiza, baixa e instala muitas das dependências mais recorrentes de programas Windows, como as fontes TrueType da Microsoft, os MDAC, os runtimes do Visual Basic e do Visual C++, etc.

PSPad editor rodando via Wine

PSPad editor rodando via Wine

Dessa forma, consigo trabalhar, no Ubuntu, com alguns bons programas feitos para a plataforma do Tio Bill, tais como o PSPad, o EMS SQL Manager 2010 for MySQL e o EMS SQL Manager 2008 for SQL Server.

4) Firefox com WebDeveloper Toolbar e outras extensões

Como desenvolvedor web, tenho um bom número de navegadores instalados (o Infernet Explorer roda na VM, veja mais abaixo). Meu navegador principal continua sendo o Firefox, porque muitas de suas extensões ainda não encontram paralelos para o Google Chrome – apesar de todos os predicados deste. Dentre as extensões que mais utilizo, estão a WebDeveloper Toolbar e a DownThemAll!. Um recurso nativo particularmente interessante do navegador, para mim, é o Console de Erros Javascript – pego muitos erros por ele, sem sequer precisar acionar o Firebug.

Firefox com WebDeveloper Toolbar em ação

Firefox com WebDeveloper Toolbar em ação

5) VMWare Player

OK, esse não é open source, é só freeware. Trabalho uma Instituição de Ensino Superior com foco em Ciências Sociais Aplicadas, ou, traduzindo, o povo daqui adora uma planilha. E, para manter a compatibilidade, eu, o único linuxista dessas bandas, não posso viver só de OpenOffice.org. Necessito utilizar o Microsoft Office, versão 2010, adquirida pela Instituição e que (ainda) não consegui instalar via Wine. Há outras cositas também que me forçam a ter um ambiente Windows à disposição, como Photoshop, Delphi (para alguns sistemas legados) e Crystal Reports.

Durante muito tempo, deixei o VirtualBox , da Sun Oracle, encarregado das minhas máquinas virtuais. Sem embargo, dois fatores fizeram com que eu passasse a utilizar o VMWare Player: (1) este divide o disco virtual em vários arquivos, facilitando o processo de backup e (2) com ele, os efeitos visuais funcionam, ao contrário do que ocorria com o VirtualBox. Pode parecer frescura, mas, para mim, os efeitos visuais são fundamentais, principalmente quanto a testá-los em outras distros Linux e versões futuras do Ubuntu, coisa que faço com frequência. Além do mais, suspender e recuperar uma VM mostrou-se sensivelmente mais rápido no VMWare Player, relativamente ao VirtualBox.

VMWare Player rodando Windows 7

VMWare Player rodando Windows 7

6) Gnome-RDP Remmina

UPDATE: seguindo o conselho do visitante BlueHood, expresso em seu comentário mais abaixo, acabei por trocar o Gnome-RDP pelo Remmina, até então desconhecido para mim. Vale a pena conhecê-lo! =D

Há muitos servidores rodando Windows Server aqui. E a rede toda é baseada no Active Directory. Felizmente, o Ubuntu conta com ferramentas para acesso remoto a máquinas Windows utilizando o protocolo RDP (mais conhecido por “Terminal Services”). O Gnome-RDP Remmina é simples, objetivo, e cumpre muito bem o seu papel, e ademais suporta também os protocolos VNC, SFTP e SSH. Para quem utiliza KDE, o utilitário equivalente é o KRDC.

O Remmina acessando um servidor Windows via Terminal Services

O Remmina acessando um servidor Windows via Terminal Services

7) The Gimp

OK, OK, passo longe de ser um designer. Mas nem por isso estou livre de usar softwares de edição gráfica. Tenho o Photoshop instalado na VM, e <vergonha-propria mode="on"> desse programa sei utilizar menos de 1% do seu potencial </vergonha-propria>.

Quando a tarefa com imagens não é complexa o bastante para justificar a subida da VM à memória, faço uso do Gimp, sempre em Single-Window mode. Com ele, consigo fazer as coisas mais triviais, como redimensionamento e conversão de formatos, recortes e strokes. Enfim, no quesito “software gráfico” sou um mero principiante, em início de aprendizado, esperando absorver novas habilidades à medida que as necessidades surjam.

The Gimp e o meu papel de parede atual

The Gimp e o meu papel de parede atual

Bonus track: Terminal + Guake

Nenhum desenvolvedor que se preze deve temer a linha de comando. Algumas tarefas (como, por exemplo, atualizar o Ubuntu) são muito mais simples via terminal. E o Guake, uma quase-unanimidade, torna a praticidade do terminal ainda mais prática, se é que me entendem. Após instalado e carregado, basta um F12 para que uma janela de terminal se descortine com elegância à frente de seus olhos.

O Guake trabalhando

O Guake trabalhando

Passando a bola adiante

Para manter o espírito do meme, passo a bola para o Francisco Prado (@fr_prado), o Henrique Lobo Weissmann (@loboweissmann), o Bruno Bemfica (@CodeAddicted) e o Fábio Vedovelli (@vedovelli). Compartilhem sua forma de trabalho, pessoal! 🙂

Instalando aplicativos KDE no Ubuntu (sem instalar o KDE inteiro como dependência!)

Salve, galera!

O assunto de hoje é polêmico. Trata-se da velha questão da rivalidade entre GNOME e KDE, e a escolha por um ou por outro, frequentemente, é matéria de foro íntimo 😛 . Não raro, as pessoas gostam de um e não suportam o outro…

O que tenho a dizer é que, com o Ubuntu, é possível ter o melhor dos dois mundos. Minha constatação é reafirmada por duas notícias recentes: a de que o Ubuntu 11.04 (“Natty Narwhal”) utilizará a interface Unity como padrão (fugindo, portanto, do GNOME Shell, que será a interface padrão do GNOME a partir da versão 3.0) e um post do Matt Zimmermann, CTO da Canonical, acerca da utilização do Qt (biblioteca sobre a qual o KDE se baseia) para o desenvolvimento de aplicações para o Ubuntu.

O GNOME e o KDE incorporam aplicativos quase sempre equivalentes entre si – quase sempre. A título de exemplo, o digiKam, do KDE, gerencia tanto fotos quanto vídeos – o suporte a esses últimos falta tanto ao F-Spot quanto ao Shotwell, do GNOME. Falando por mim, reputo o Kate, o editor de textos avançado do KDE, melhor do que o gedit, do GNOME. Já soube de gente que prefere o Okular ao Evince. A lista seria infinita…

A principal reclamação de quem já experimentou usar um programa do KDE no Ubuntu é o problema das dependências – é comum que, ao instalar um simples programa do KDE, o Synaptic (ou o aptitude, ou o apt-get, ou a Central de Programas do Ubuntu, …) tente incluir praticamente todo o KDE no conjunto da instalação. Uns míseros 150~200MB… 😛

A boa notícia: é possível contornar esse empecilho. No aptitude, ao instalar um pacote do KDE, basta incluir a diretiva --without-recommends para que o gerenciador  ignore os pacotes recomendados. É claro que, ainda assim, serão baixadas as bibliotecas (principalmente do Qt) necessárias ao perfeito funcionamento do aplicativo, o que pode inchar o tamanho do download ainda um pouco. Todavia, essas bibliotecas só serão baixadas e instaladas uma única vez. Os downloads subsequentes de outros aplicativos KDE terão tamanhos módicos.

Em suma: se quisermos instalar o digiKam:

sudo aptitude install digikam --without-recommends

Ou o Kate:

sudo aptitude install kate --without-recommends

E por aí vai.

Tenho utilizado esse método já há algum tempo, com sucesso. Contudo, isso não é garantia de que funcione em 100% dos casos. Experimente, tente, e conte sua experiência nos comentários. 🙂

Faenza, o aguardado tema de ícones para GNOME, finalmente disponível

Quem utiliza o script Ubuntu Perfeito para personalizar a sua instalação do Ubuntu, certamente já conhece os temas GTK+ Equinox, instalados por aquele. O Equinox vem associado ao tema de ícones Faenza, que até então não existia.

Pois bem. Acabou de sair do forno o conjunto Faenza, na sua incipiente versão 0.5. Apesar de não estar totalmente concluído, o que já temos é suficiente para afirmar que a espera valeu a pena.

Faenza 0.5 (Uau!)

Faenza 0.5 (Uau!)

Download via GNOME-Look.org.

Se você gostou deste post, pode gostar também de: Meliae SVG, novo e vibrante conjunto de ícones para o GNOME

Meliae SVG, novo e vibrante conjunto de ícones para o GNOME

Se você, assim como eu, sempre achou os ícones do GNOME um tanto quanto apagados, e os do Ubuntu cítricos demais (ou simplesmente já enjoou deles 😛 ), talvez queira experimentar o conjunto de ícones Meliae SVG. Parece que foi feito para nós. 8)

Pré-visualização do Meliae SVG

Pré-visualização do Meliae SVG

O Meliae SVG tem versões tanto para painéis claros quanto escuros, e inclui ícones para o Me Menu do Ubuntu. Mais informações e download no GNOME-Look.org.

[Ubuntu] O mistério dos temas atualizados com opção de reverter o botão de leiaute

Parece que os desenvolvedores do Ubuntu finalmente assimilaram a ideia de que nem todo mundo apreciou a mudança dos botões das janelas (minimizar, maximizar e fechar) para o lado esquerdo, à la MacOS, a partir da versão 10.04 LTS (Lucid Lynx).

Desde alguma das últimas atualizações, os temas dos pacotes light-themes (Ambiance e Radiance), além de alguns outros dos pacotes community-themes (Night Impression) e gnome-themes-ubuntu (Dust, New Wave), passaram a exibir a opção Reverter botão de leiaute, quando aplicados, se o tema anterior apresentava os botões na configuração antiga (botões à direita). Veja:

Aplicando o tema Ambiance: antes...

Aplicando o tema Ambiance: antes...

... e depois

... e depois

Acontece, porém, que não consegui determinar exatamente quais os pacotes e os temas atualizados, e que apresentam o novo comportamento. Além disso, aquela opção Reverter botão de leiaute nem sempre aparece – pelo que pude inferir, ele surge apenas quando o tema anterior tinha uma configuração de botões diferente da imposta pelo tema que está sendo aplicado.

Se deseja me ajudar a desvendar o mistério, um bom caminho para começar é o seguinte:

  • Atualize seus pacotes:
    sudo apt-get update && sudo apt-get upgrade
  • Instale os pacotes abaixo (caso já não os tenha instalados):
    sudo aptitude install community-themes gnome-themes-ubuntu

E depois, diga nos comentários o que encontrou de novo. 😉

Veja também: Ganhando espaço na interface gráfica do Ubuntu

Ctrl+Alt+F1 parou de funcionar no Ubuntu? Tente isto!

Logo após qualquer atualização do kernel do Linux, os felizardos proprietários de muitas placas de vídeo se vêem obrigados a reinstalar o driver fornecido pelo fabricante para ter seus efeitos visuais de volta. Hoje pela manhã, após mais uma dessas (do 2.6.32-22 para o 2.6.32-23), lá eu ia reinstalar o driver da minha place NVIDIA (o famigerado sudo ./NVIDIA-*.bin), quando…

Para quem não sabe, o driver da NVIDIA exige ser instalado pelo console, sem que o X esteja sendo executado. O caminho comum para se chegar a isso é teclar Ctrl+Alt-F1 (ou qualquer outra tecla de função até F6), emitir o comando sudo service gdm stop para parar o servidor X e só então proceder à instalação propriamente dita do driver. Para a minha surpresa, porém, após atualizar o kernel e reinicializar o micro, a combinação de teclas Ctrl+Alt+Fx não mais me concedia um terminal, apenas uma tela preta e vazia.

UPDATE: desde o início, eu tinha consciência de que a solução por mim postada abaixo não passava de uma gambiarra, bastante grosseira até. Não tardou até alguém aparecer com uma solução muito mais bem acabada: o leitor Lucas Saliés Brum indicou, pelos comentários, um procedimento dos fóruns de suporte do Ubuntu, que funcionou com perfeição. Aproveito a oportunidade para agradecê-lo novamente. Agora, só use a minha gambi se o procedimento do UbuntuForum-BR não funcionar com você. 😉

Após quebrar a cabeça um pouco, encontrei uma resposta. O problema parece estar relacionado às configurações gráficas do GRUB2 (gerenciador de inicialização). Se você tem o GRUB2 instalado e não consegue mais chamar o terminal por aquelas teclas, talvez esta solução seja para você.

Vamos à trilha dos desesperados: 😛

1) Estando na inteface gráfica do Ubuntu, e devidamente logado, digite Alt+F2 e, no diálogo que aparecer, informe gksu gedit /etc/default/grub, e em seguida sua senha. O editor abrirá um arquivo cujo conteúdo deverá se parecer com isso:

# If you change this file, run 'update-grub' afterwards to update
# /boot/grub/grub.cfg.

GRUB_DEFAULT=0
#GRUB_HIDDEN_TIMEOUT=0
GRUB_HIDDEN_TIMEOUT_QUIET=true
GRUB_TIMEOUT=10
GRUB_DISTRIBUTOR=`lsb_release -i -s 2> /dev/null || echo Debian`
GRUB_CMDLINE_LINUX_DEFAULT=" splash quiet"
GRUB_CMDLINE_LINUX=" splash quiet"

# Uncomment to disable graphical terminal (grub-pc only)
#GRUB_TERMINAL=console

# The resolution used on graphical terminal
# note that you can use only modes which your graphic card supports via VBE
# you can see them in real GRUB with the command `vbeinfo'
#GRUB_GFXMODE=640x480

# Uncomment if you don't want GRUB to pass "root=UUID=xxx" parameter to Linux
#GRUB_DISABLE_LINUX_UUID=true

# Uncomment to disable generation of recovery mode menu entries
#GRUB_DISABLE_LINUX_RECOVERY="true"

# Uncomment to get a beep at grub start
#GRUB_INIT_TUNE="480 440 1"

2) Coloque o caracter # (cerquilha) no início das linhas iniciadas com GRUB_CMDLINE_LINUX_DEFAULT e GRUB_CMDLINE_LINUX, para desabilitar essas diretivas. Assim:

# If you change this file, run 'update-grub' afterwards to update
# /boot/grub/grub.cfg.

GRUB_DEFAULT=0
#GRUB_HIDDEN_TIMEOUT=0
GRUB_HIDDEN_TIMEOUT_QUIET=true
GRUB_TIMEOUT=10
GRUB_DISTRIBUTOR=`lsb_release -i -s 2> /dev/null || echo Debian`
#GRUB_CMDLINE_LINUX_DEFAULT=" splash quiet"
#GRUB_CMDLINE_LINUX=" splash quiet"

# Uncomment to disable graphical terminal (grub-pc only)
#GRUB_TERMINAL=console

# The resolution used on graphical terminal
# note that you can use only modes which your graphic card supports via VBE
# you can see them in real GRUB with the command `vbeinfo'
#GRUB_GFXMODE=640x480

# Uncomment if you don't want GRUB to pass "root=UUID=xxx" parameter to Linux
#GRUB_DISABLE_LINUX_UUID=true

# Uncomment to disable generation of recovery mode menu entries
#GRUB_DISABLE_LINUX_RECOVERY="true"

# Uncomment to get a beep at grub start
#GRUB_INIT_TUNE="480 440 1"

3) Salve o arquivo.

4) Abra um terminal gráfico (Alt+F2, gnome-terminal) e execute o comando

sudo update-grub

Isso irá reconfigurar o GRUB2.

5) Reinicie seu computador. Você notará, provavelmente, a falta da tela de splash do Ubuntu, e verá, em seu lugar, uma série de mensagens de inicialização. Esse é o comportamento esperado. 🙂

6) Uma vez inicializado o sistema operacional, experimente o Ctrl+Alt+Fx. Se funcionar, aproveite para matar o X e instalar sua placa gráfica.

Para mim, funcionou. Se para você funcionou também (ou não), não deixe de dizer nos comentários!

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