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Linux, programação e toda sorte de nerdices

Ensaio sobre a orkutização do Twitter

Há algum tempo, tenho notado, na minha timeline, variadas reações acerca da orkutização do Twitter, fenômeno que a cada dia torna-se mais evidente. Or.ku.ti’za.ção (s.f.), com o perdão do neologismo, foi o termo encontrado para definir a progressiva degradação da relevância e utilidade prática – numa palavra: banalização – de uma ferramenta social, fato que por primeiro manifestou-se numa certa rede criada por um engenheiro de software de nacionalidade turca e funcionário do Grande Oráculo.

O Twitter, quando de seu surgimento, parecia algo hermético e esotérico, associado a gente hiperdescolada e early adopters de tecnologia. Era difícil vislumbrar a serventia de uma coisa que lhe perguntava What are you doing? e não lhe deixava responder com mais de 140 caracteres. À medida que o serviço foi agregando usuários, muitos dos quais ali desembarcavam guiados pela mais cândida curiosidade, o Twitter finalmente encontrou sua vocação: ser uma fonte de informações em tempo (quase) real, que, devido à forma com que estruturava seus usuários (seguidores e seguidos), transformou-se numa máquina de virais – para o bem ou para o mal. E toda essa repercussão, por óbvio, retroalimenta o fluxo de novos usuários.

Em algum ponto de sua curta história, o Twitter tornou-se a sensação do momento. Todos desejam estar nele, muitos querem utilizá-lo para angariar fama, outros estão ali apenas para não serem diferentes. Exatamente como, era uma vez, aconteceu com o orkut. Ou alguém já se esqueceu de que, um dia, foi necessário convite para entrar na rede social do Google?

Com o ingresso dos novos usuários, movidos por hype, sensacionalismo e modismo, não se podia esperar outra reação que não um misto de revolta e decepção dos veteranos. Afinal, usurparam a esses últimos sua casamata. Tiraram-lhes a exclusividade que julgavam ter sobre aquilo que até então era coisa para iniciados. E eis que o derradeiro obstáculo a impedir a definitiva invasão das hordas enfurecidas, a barreira linguística, está prestes a ruir, já que lá vem o Twitter em português. E, mesmo antes disso, o #TTBr constituiu-se, invariavelmente, no supra-sumo da futilidade.

Guardadas as proporções e respeitada a diferença de contexto, é o mesmo temor que acometeu os pioneiros do orkut quando este serviço abriu-se a qualquer interessado. E sequer é preciso ter poderes metafísicos para prever que, mais cedo ou mais tarde, a orkutização assolará também o Facebook – ao qual, aliás, nem me dei ao trabalho de aderir. Em tempo: ainda mantenho um perfil no orkut por pura indolência, mas quase não entro mais lá porque a poeira acumulada ataca minha rinite alérgica 😛 .

O que os indignados usuários do Twitter (ou coloque o nome sua rede social popular ou em ascensão aqui) custam a perceber é que, com frequência, replicam eles mesmos as ações que tanto criticam. Reclamam da baixa qualidade de sua timeline, mas só tuítam coisas de pouca ou nenhuma importância.

Com base em minha própria experiência, e sem querer lecionar qualquer lição de moral, acabei por me impor alguns princípios, que talvez sejam úteis a quem  interessar possa:

  • Não cultivo o hábito de seguir automática e cegamente de volta cada novo seguidor que porventura conquiste. Muitos desses neoseguidores me abandonam após alguns dias, quando veem que não lhes premi o botão Follow. Muito prazer, foi uma honra tê-los me seguindo, mas precisam mostrar conteúdo para que eu considere a possibilidade de vir a segui-los.
  • Consequência imediata do item anterior: seleciono a dedo os perfis aos quais sigo, e não tenho a menor vergonha de dar um unfollow se não corresponder às minhas expectativas. É claro que esse meu comportamento jamais me tornará um sujeito popular – o que nunca fui mesmo.
  • Evito, na medida do possível e da boa memória, tuitar coisas de cunho estritamente pessoal, que não façam sentido para mais ninguém. Como não poderia deixar de ser, o conceito de “sentido” aqui é o mais elástico quanto possível. Por vezes faço piadas (muitas vezes sem graça 😐 ) com os tuítes alheios – mas isso não é, de forma alguma, o principal objetivo pelo qual estou no Twitter. O microblog permitiu-me construir uma rede de relacionamentos que – assim espero – venham, um dia, render frutos, especialmente no campo profissional. E não desejo jogar isso para o alto a troco de nada.
  • Por fim, o ditado “não faça aos outros o que não quer que façam a você” aplica-se perfeitamente ao universo das redes sociais. O Twitter é, para mim, uma ferramenta e, nessa qualidade, deve ser-me útil. Busco ali coisas que me agreguem conhecimento ou, ao menos, um pouco de diversão. Tendo essa ideia em mente, procuro partilhar eu também dessas mesmas coisas.

E você, que anda incomodado com a orkutização? Continuará sendo tão-somente reativo ou adotará uma postura proativa? 8)

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3 Respostas para “Ensaio sobre a orkutização do Twitter

  1. Francisco 03/08/2010 às 08\0832

    Hahah, eu sou um dos maiores divulgadores da orkutização na sua timeline, diz aí. 🙂

    O Twitter é livre e cada um tuita aquilo que desejar. Mas o que torna irritante é quando essas redes sociais surgem nas mídias de massa (TV etc) associadas a casos como o dos jogadores do Santos, ou àquele caso dos adolescentes do RS q apareceram nus via Twitcam… Gosto muito das redes sociais, essa coisa informal e tudo mais, é difícil falar o que é e o q não é fútil, mas fico aborrecido quando o uso degringola para esse lado… 😦

    Na boa, quem orkutizou assim o Twitter foram as Lucianas Gimenez da vida q apareceram a partir de meados de 2009 e futilizaram a bagaça…

    At+

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  3. Nicholas Pufal 04/08/2010 às 17\0523

    Como qualquer rede social, isso iria acontecer.

    Eu já fui um rebelde com relação ao Orkut, quando vi que aquilo estava virando “vitrine de sua vida”. Na época, não usava para outra coisa se não encontrar pessoas com quem há tempos perdi contato. Já entrei e sai algumas vezes. Hoje em dia possuo um cadastro lá, com o mínimo de amigos possível, porque o meu real interesse é o de participar de algumas comunidades.

    Cada vez mais o usuário que gosta de informação relevante, tem que aprender a ter esse filtro.

    Eu entro nas comunidades que me são relevantes. Algumas besteiras também, mas o meu propósito real/sério é ajudar alguém ou me ajudar.

    No meu Twitter eu dou RT em algumas besteiras, pq de ambientes sérios e formalismos, já chega muita coisa no meu dia-a-dia – e eu sou partidário de que até tomar um café na esquina pode vir a gerar alguma fagulha na geração de uma idéia nova/bacana.

    Eu nunca vou deixar de freqüentar uma rede social por conta de usuários que poluíram ela. Nunca mesmo.

    Por exemplo: o Google é o mesmo para todos, no entanto alguns usam para procurar fofocas e besteirolas, enquanto outros usam como “oráculo” (como muitos desenvolvedores gostam de chamar), no intuito de procurar soluções, alternativas e muita informação relevante à sua área.

    Acho que qualquer rede social agrega algo de útil, basta saber utilizar. Por mais que tenham usuários poluidores, sempre vão ter os usuários os quais fazem valer a pena estar introduzido naquela ferramenta.

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