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Linux, programação e toda sorte de nerdices

Ubuntu or not Ubuntu, that’s the question

Fui apresentado ao Linux em 1998, pelas mãos (e pelos disquetes 3 1/2″) do Ricardo Stefani, de longe o cara mais nerd que eu conheço. Eu havia, então, acabado de comprar meu primeiro computador, um Pentium MMX com incríveis 64 MB de RAM. Ele vivia me falando das maravilhas do (então) novo sistema operacional, mostrando capturas de tela do Enlightenment. Aconteceu que, naquela ocasião, o kernel do Linux ainda não suportava MMX, e minha primeira tentativa de instalar uma distro (naquela época, o Conectiva Linux) resultou em disparados bipes nos autofalantes do meu recém-adquirido micro próprio.

Ressalte-se que, por aqueles idos, a internet ainda era movida a lenha (e, de certa forma, continua assim até hoje), de modo que não era fácil conseguir novas versões. O que quase todo mundo fazia era comprar aquelas revistas de informática que vinham com um CD encartado e traziam as versões atualizadas das distros mais populares do início do século: Red Hat (atualmente Fedora), Mandrake (hoje Mandriva), e o próprio Conectiva. A cada tentativa de instalação, porém, algo insistia em dar errado. E o meu sonho de usar Linux regularmente foi sendo adiado.

Em 2003, troquei meu computador, que agora era um Athlon XP com 256 MB de RAM. Devido às minhas más experiências anteriores com o sistema livre, fiquei alguns anos sem sequer tentar instalá-lo novamente. Até que, não me lembro exatamente como nem quando, caiu em meu colo um CD de uma distribuição semidesconhecida, um tal de Ubuntu. Como disse, não recordo as exatas circunstâncias de como isso ocorreu, mas provavelmete tratava-se da versão 6.06 LTS (Dapper Drake). Aquele CD me permitiu conhecer a distro novata sem instalá-la (tudo bem, isso não era novidade, o Kurumin, entre outros, já fazia isso).

Inteirei-me do esquema de releases do Ubuntu, o que me rendeu crises de ansiedade a cada 6 meses. A primeira versão que lembro de ter realmente instalado (ainda naquele Athlon XP de 2003) foi a 7.04 (Feisty Fawn), não sem ter ficado decepcionado pela falta dos efeitos visuais – o chipset SIS onboard simplesmente não os permitia. Pela primeira vez em quase 10 anos, eu havia vencido o Linux (e não o contrário) – e graças ao Ubuntu.

De lá para cá, acompanhei todas as novas versões, passando a utilizar o Ubuntu cada vez com mais frequência e para fazer mais tarefas. Meu trabalho de conclusão de curso da faculdade de Direito, em 2008, foi feito em OpenOffice sob Ubuntu. Experimeitei também o KDE, instalando o pacote kubuntu-desktop, mas atualmente estou de volta ao Gnome.

No ano passado (2009), adquiri um notebook DualCore com 2 GB de RAM e placa ATI Mobility Radeon HD 2400, o que me permitiu, finalmente, colocar o Compiz para funcionar. O note continua dualboot com Windows por causa da Dona Patroa (já tentei evangelizá-la, sem sucesso), mas eu mesmo só vou de Ubuntu. No trabalho, estou há dois meses utilizando somente o Ubuntu também.

Pois então, por que o Ubuntu? Foi a distribuição que me permitiu partir para o mundo Linux de mala e cuia. É o sistema operacional perfeito (se é que existe algum nessa condição)? Não, muito longe disso. O Ubuntu melhorou consideravelmente a experiência do usuário em Linux, mas ainda há muito a ser feito – drivers de hardware são um bom exemplo disso. A grande prova de que está no caminho certo, contudo, é ter alçado a condição de distro mais popular do mundo no momento (segundo o DistroWatch.com). E fazer muitos usuários mais esclarecidos, ainda que sem conhecimento técnico aprofundado, (conseguir) trocar o Windows por ele. Sem qualidade, jamais teria conquistado a façanha.

Quanto a mim, vou aprendendo Linux à medida da necessidade. O Ubuntu me permite fazê-lo, não preciso saber de tudo para começar a usá-lo. Foi necessário editar o /etc/X11/xorg.conf? Aprendi. Tive que mexer na fstab? Idem. E por aí vai. Não sei compilar o kernel? E daí? Ainda não precisei fazer isso. Quando for mister, pode ter certeza de que aprenderei e farei.

O Ubuntu é a distro que melhor se ajusta ao que preciso, por hora. Uso e recomendo, mas tenho consciência de que você pode achar que outra distribuição é melhor para você. Isso não é importante; o que importa é utilizar um sistema livre. E, se amanhã eu constatar que outra distribuição me atende mais adequadamente, seja porque minhas necessidades mudaram ou porque a distro oferece um salto de qualidade em relação ao Ubuntu, não hesitarei em fazer a troca deste por aquela.

Para terminar, uma constatação: distros vêm e vão. A liberdade de usar Linux permanece.

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Uma resposta para “Ubuntu or not Ubuntu, that’s the question

  1. Léo 22/03/2011 às 14\0207

    É, amigo.. Acho que você continua fazendo uma boa escolha. Meu primeiro contato com linux foi utilizando o Mandrake e ainda era cheio de “probleminhas” que me dava grandes dores de cabeça, exemplo era montar uma partição ntfs. Hoje em dia até pendriver é reconhecido, montado e disponibilizado um link para acesso a tal. Tentei Mandrake, não consegui me desligar da MS. Tentei o slackware.. vixe! Ai foi que sofri e não consegui me desligar da MS. Tentei ubuntu 7.04.. Começei a me desligar da MS, mas ainda faltava muito aplicativos.. Hoje uso o Debian, passei do Lenny para o Squeeze e não pretendo voltar a MS nunca mais. HEHEHE Está tudo redondinho aqui faz meses.. Que satisfação!

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