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Linux, programação e toda sorte de nerdices

Arquivos Mensais: abril 2010

Novidades das versões de desenvolvimento do Netbeans 6.9 para PHP

A versão 6.9 do Netbeans promete um significativo salto de qualidade em seu suporte ao desenvolvimento PHP. Mui embora a versão final esteja programada para ser lançada apenas em junho, já é possível experimentar desde já algumas das novidades que estarão disponíveis. Para tanto, basta baixar e instalar uma versão diária de desenvolvimento, que, por óbvio, não é recomendada para produção. E esteja ciente de que alguns desses nightly builds pode estar simplesmente inutilizáveis.

O presente artigo baseia-se na versão de desenvolvimento do dia 15/04/2010, a qual não apresentou maiores problemas de usabilidade.

O primeiro item a se notar é a substituição da logomarca da Sun pela da Oracle, no canto inferior esquerdo da página de boas vindas, num processo que se estende a todos os produtos que eram da primeira (o OpenOffice.org no Ubuntu 10.04 Beta 2 também já recebeu a marca do Oráculo).

Tela de boas vindas do Netbeans 6.9

E o fumo do Oráculo encobriu o Sol

Mudanças mercadológico-filosóficas à parte, creio que a mais importante inovação introduzida no 6.9 seja o longamente aguardado recurso de quebra automática de linhas longas (wordwrap).

UPDATE: o wordwrap (ou linewrap) foi desabilitado na versão 6.9 beta e postergado até a próxima major release do Netbeans. Mais informações aqui.

Quebra automática de linhas no Netbeans 6.9

Wordwrap: já não era sem tempo

O wordwrap funciona também nos outros editores do IDE, e é especialmente útil na edição de arquivos HTML. Talvez por estar ainda em desenvolvimento, o recurso não vem ativado por padrão. Para colocá-lo em funcionamento, é necessário ir até Tools > Options > Editor > Formatting e fazer os ajustes necessários.

Ajuste de quebra de linhas no Netbeans 6.9

Right margin: não consegui descobrir para que serve

A quebra de linhas é ativada selecionando-se algo diferente de Off na caixa de combinação Line Wrap. Há duas opções: Anywhere (dobra a linha em qualquer lugar, podendo quebrar palavras ao meio) e After words (quebra a linha após um espaço ou separador, o que eu particularmente acho mais lógico).

Curiosamente, a implementação de quebra de linhas do Netbeans 6.9 é algo diferente encontrado em outros editores. Apesar de existir um parâmetro de configuração denominado Right Margin, o IDE não o respeita, apesar de desenhar uma linha vertical na posição configurada. Ao contrário,  o Netbeans se guia pela borda direita da janela, inclusive ajustando dinamicamente a quebra de linhas quando redimensionamos horizontalmente a janela do editor. Embora este seja um comportamento inteligente, deixa completamente sem sentido o parâmetro Right Margin (que, desta forma, não precisaria existir). Como se cuida de uma versão em desenvolvimento, não me surpreenderia se isso mudasse até a versão final.

Outra bem-vinda novidade é a introdução de uma espécie de ajuste fino e personalizável na formatação de diversas linguagens suportadas pelo Netbeans, aí incluído o PHP.

Opções de formatação de código do Netbeans 6.9

Formatação de código: milhões de combinações à sua escolha

No caso específico dessa linguagem, é possível configurar, entre vários outros aspectos:

  • se a chave de abertura dos blocos permanece ou não na mesma linha da instrução principal;
  • se será deixado um espaço entre if, else, for, while, etc. e o parêntese de abertura imediatamente posterior;
  • se haverá indentação adicional na declaração de arrays em múltiplas linhas;
  • etc.;
  • etc.;
  • etc.

Outro ponto que programadores PHP certamente apreciarão é o suporte inicial aos frameworks Symfony e Zend, configurável mediante Tools > Options > PHP. O suporte em questão permite criar projetos integrados com as ditas bibliotecas, e traz comandos para automatizar tarefas típicas relacionadas a cada uma.

Sem embargo, como não poderia deixar de ser numa versão de desenvolvimento, nem tudo são flores no novo Netbeans. A varredura inicial dos arquivos de projeto continua lenta e problemática, chegando por vezes a travar o IDE, e nem sempre instalar e ativar o plugin Scan on Demand resolve. Mesmo assim, creio que o Netbeans está caminhando a passos largos para se tornar o melhor IDE opensource (se já não o é) para o desenvolvimento em PHP.

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Ubuntu or not Ubuntu, that’s the question

Fui apresentado ao Linux em 1998, pelas mãos (e pelos disquetes 3 1/2″) do Ricardo Stefani, de longe o cara mais nerd que eu conheço. Eu havia, então, acabado de comprar meu primeiro computador, um Pentium MMX com incríveis 64 MB de RAM. Ele vivia me falando das maravilhas do (então) novo sistema operacional, mostrando capturas de tela do Enlightenment. Aconteceu que, naquela ocasião, o kernel do Linux ainda não suportava MMX, e minha primeira tentativa de instalar uma distro (naquela época, o Conectiva Linux) resultou em disparados bipes nos autofalantes do meu recém-adquirido micro próprio.

Ressalte-se que, por aqueles idos, a internet ainda era movida a lenha (e, de certa forma, continua assim até hoje), de modo que não era fácil conseguir novas versões. O que quase todo mundo fazia era comprar aquelas revistas de informática que vinham com um CD encartado e traziam as versões atualizadas das distros mais populares do início do século: Red Hat (atualmente Fedora), Mandrake (hoje Mandriva), e o próprio Conectiva. A cada tentativa de instalação, porém, algo insistia em dar errado. E o meu sonho de usar Linux regularmente foi sendo adiado.

Em 2003, troquei meu computador, que agora era um Athlon XP com 256 MB de RAM. Devido às minhas más experiências anteriores com o sistema livre, fiquei alguns anos sem sequer tentar instalá-lo novamente. Até que, não me lembro exatamente como nem quando, caiu em meu colo um CD de uma distribuição semidesconhecida, um tal de Ubuntu. Como disse, não recordo as exatas circunstâncias de como isso ocorreu, mas provavelmete tratava-se da versão 6.06 LTS (Dapper Drake). Aquele CD me permitiu conhecer a distro novata sem instalá-la (tudo bem, isso não era novidade, o Kurumin, entre outros, já fazia isso).

Inteirei-me do esquema de releases do Ubuntu, o que me rendeu crises de ansiedade a cada 6 meses. A primeira versão que lembro de ter realmente instalado (ainda naquele Athlon XP de 2003) foi a 7.04 (Feisty Fawn), não sem ter ficado decepcionado pela falta dos efeitos visuais – o chipset SIS onboard simplesmente não os permitia. Pela primeira vez em quase 10 anos, eu havia vencido o Linux (e não o contrário) – e graças ao Ubuntu.

De lá para cá, acompanhei todas as novas versões, passando a utilizar o Ubuntu cada vez com mais frequência e para fazer mais tarefas. Meu trabalho de conclusão de curso da faculdade de Direito, em 2008, foi feito em OpenOffice sob Ubuntu. Experimeitei também o KDE, instalando o pacote kubuntu-desktop, mas atualmente estou de volta ao Gnome.

No ano passado (2009), adquiri um notebook DualCore com 2 GB de RAM e placa ATI Mobility Radeon HD 2400, o que me permitiu, finalmente, colocar o Compiz para funcionar. O note continua dualboot com Windows por causa da Dona Patroa (já tentei evangelizá-la, sem sucesso), mas eu mesmo só vou de Ubuntu. No trabalho, estou há dois meses utilizando somente o Ubuntu também.

Pois então, por que o Ubuntu? Foi a distribuição que me permitiu partir para o mundo Linux de mala e cuia. É o sistema operacional perfeito (se é que existe algum nessa condição)? Não, muito longe disso. O Ubuntu melhorou consideravelmente a experiência do usuário em Linux, mas ainda há muito a ser feito – drivers de hardware são um bom exemplo disso. A grande prova de que está no caminho certo, contudo, é ter alçado a condição de distro mais popular do mundo no momento (segundo o DistroWatch.com). E fazer muitos usuários mais esclarecidos, ainda que sem conhecimento técnico aprofundado, (conseguir) trocar o Windows por ele. Sem qualidade, jamais teria conquistado a façanha.

Quanto a mim, vou aprendendo Linux à medida da necessidade. O Ubuntu me permite fazê-lo, não preciso saber de tudo para começar a usá-lo. Foi necessário editar o /etc/X11/xorg.conf? Aprendi. Tive que mexer na fstab? Idem. E por aí vai. Não sei compilar o kernel? E daí? Ainda não precisei fazer isso. Quando for mister, pode ter certeza de que aprenderei e farei.

O Ubuntu é a distro que melhor se ajusta ao que preciso, por hora. Uso e recomendo, mas tenho consciência de que você pode achar que outra distribuição é melhor para você. Isso não é importante; o que importa é utilizar um sistema livre. E, se amanhã eu constatar que outra distribuição me atende mais adequadamente, seja porque minhas necessidades mudaram ou porque a distro oferece um salto de qualidade em relação ao Ubuntu, não hesitarei em fazer a troca deste por aquela.

Para terminar, uma constatação: distros vêm e vão. A liberdade de usar Linux permanece.

Por que o ASP clássico ainda sobrevive?

Eis uma questão para a qual não encontrei ainda uma resposta única. Lançado em dezembro de 1996 (segundo informações da Wikipédia), o ASP clássico é hoje um pré-adolescente rebelde que deveria ter morrido ainda criança, mas nunca chegará à idade adulta com maturidade.

Acredito que ele tenha-se tornado popular entre os programadores Visual Basic que, pela necessidade de fazer alguma coisa para a emergente web da época, encontraram naquele um caminho fácil e rápido (mas não necessariamente melhor). Muitos desses profissionais (?!) encontraram ali sua zona de conforto e, diante do passar dos anos e do surgimento de novas tecnologias, preferiram continuar no bom e velho modus operandi.

A Microsoft, creio, também concorreu para a sobrevida dessa obsoletice. Ao introduzir o framework .NET, fê-lo de forma abrupta, sem que os desenvolvedores houvesse tido um caminho suave de transição. Diante da constatação de “ter que aprender tudo de novo”, afinal, “já deu um trabalhão aprender da primeira vez, entender como funciona”, a gente preferiu continuar vendendo sites novos baseado em tecnologia e código velhos.

O resultado de tudo isso são milhões de linhas de código legado, ao qual alguém precisa dar manutenção. E eis que acabei de me tornar mantenedor de alguns milhares dessas linhas.

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